14 Outubro 2009

Choveu!

Chovia. Oração de sujeito inexistente. Mas a oração que realmente precisava era pro sujeito Noé. Sentado na escada, olhando árvores passarem boiando pela porta de vidro, enquando a água, carinhosamente, galvava os degraus, esperava alguém ou algo que me tirasse desse inferno frio e molhado.

Chovia. Como há muito tempo não chovia nesse sertão amorfo que se recolhia ao meu redor. Um deserto emocional inóspito e arredio que afugentava até mesmo a mais corajosa aventureira e que agora estava transbordando em lágrimas. Provavelmente as mesmas que um dia provoquei.

Chovia. Enquanto isso tocava um Ben Jor no rádio ao longe e nada da moça de branco aparecer pra mim. Se viesse provalvemente a tomaria pela morte e fugiria. Noé ainda não aparecera e a água continuava cavalgando corredor a dentro e me acurralando em seu final estreito.

Chovia. E quando já não havia mais salvação, quando a água me batia as tampas, quando comecei a ver a vida passando em flashes em minha mente, percebi que a chuva é doce.

Chovia. A terra ganhava vida, o céu ganhava cor, a saudade era levada na corredeira e a tristeza não mais ardia. Chovia e a luz brilhava pela porta de vidro fechada.

2 Maldades Alheias:

Dani disse...

Choveu muito.
Virei sapa.
E eu quero sol.
Beijos

Faxina

Relativizando Absurdos disse...

Choveu...
e NÃO para de chover..

Beijão

amei o post
:*

BetaMacedo