Chovia. Oração de sujeito inexistente. Mas a oração que realmente precisava era pro sujeito Noé. Sentado na escada, olhando árvores passarem boiando pela porta de vidro, enquando a água, carinhosamente, galvava os degraus, esperava alguém ou algo que me tirasse desse inferno frio e molhado.
Chovia. Como há muito tempo não chovia nesse sertão amorfo que se recolhia ao meu redor. Um deserto emocional inóspito e arredio que afugentava até mesmo a mais corajosa aventureira e que agora estava transbordando em lágrimas. Provavelmente as mesmas que um dia provoquei.
Chovia. Enquanto isso tocava um Ben Jor no rádio ao longe e nada da moça de branco aparecer pra mim. Se viesse provalvemente a tomaria pela morte e fugiria. Noé ainda não aparecera e a água continuava cavalgando corredor a dentro e me acurralando em seu final estreito.
Chovia. E quando já não havia mais salvação, quando a água me batia as tampas, quando comecei a ver a vida passando em flashes em minha mente, percebi que a chuva é doce.
Chovia. A terra ganhava vida, o céu ganhava cor, a saudade era levada na corredeira e a tristeza não mais ardia. Chovia e a luz brilhava pela porta de vidro fechada.

2 Maldades Alheias:
Choveu muito.
Virei sapa.
E eu quero sol.
Beijos
Faxina
Choveu...
e NÃO para de chover..
Beijão
amei o post
:*
BetaMacedo
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