Ana Elisa estava prestes a dar com a cabeça na parede. Os olhos marejados, a face vermelha, a boca espumando. Ódio! Ela busca a todo custo que a porcaria da conexão voltasse. Rapunzel não teria se sentido isolada na torra se tivesse twitter, smart phone, blog, MSN. A pobre Ana estava ilhada. Naquela ilha infernal, aquele calor arrebatador, mosquitos por todos os lados e ela sem nem um sinalzinho para se ligar ao resto do universo.
Todos a mandava curtir o momento, ir para a praia, aproveitar o sol. Carpendiar não era lá muito a cara dela que se mantinha branquela por opção e filtro protetor fator 60. Para ela era impensável não poder responder seus e-mails, ver os blogs dos amigos, ler tudo o que tinha sido escrito nas últimas 24 horas, estar conectada. Nunca em sua vida ela havia ficado mais de 2 horas sem se conectar, aquilo para ela era uma tortura com requinte de crueldade.
Tentou novamente conseguir sinal e nada. Pensou em suicídio, pensou em sair gritando e quebrando tudo. Daria muito trabalho. Desistiu e foi dormir.
***
Caixas. Caixas. Mais caixas. MUITAS MALDITAS CAIXAS.
Kleber não aguentava mais ver todas aquelas caixas espalhadas pela casa. Ele chutava uma caixa para sair do caminho e poder trocar de roupa, chutava outra e podia pegar um livro, chutava 5 e chegava a sua cama.
Cada vez que chutava uma caixa xingava a coitada da Ludmila, sua esposa. Como ela podia ousar não ter desencaixotado tudo e colocado nos armários. Como ela podia chegar em casa, depois de trabalhar 10 horas, e não tirar tudo das caixas. Fora a sujeira. Com as caixas pelo caminho a poeira se amontoada e formava flocos obesos de cabelo emaranhado com sujeira, areia e cerveja.
Aquela mulher estava abusando da boa vontade dele, estava achando que ele iria colocar aquelas coisas no armário, estava achando que ia chegar em casa e encontrar tudo arrumado. Que audácia.
Quando Ludmila chegou em casa o marido estava sentado no chão, uma caixa aberta no colo, achando que estava arrumando alguma coisa, quando na verdade ele só estava mudando a bagunça da caixa pra estante.
***
Só. Somente, só. E do frevo fizeram-se as lágrimas. Estaria só pelos próximos 30 dias. Sem ninguém pra abraçar na dor, sem ninguém pra rir junto de madrugada. De quem roubaria miojo na cama? Pra quem daria os picles do sanduíche. Ficaria sozinha, sozinha, sozinha. Sem ajuda de ninguém.

2 Maldades Alheias:
Acho que a primeira crônica e meio que minha, tb não sou muito de sol... na verdade ficar no sol me irrita totalmente. E conectar não é mais nem um vício.. é mais que isso, é tipo parte da vida, sabe?!
Ahh meu pc pegou um vírus esses dias, nossa quase morri do coração -_-''
Beijinhos
Por Samara Correia
Ahhh e se vier para Brasília marcaremos um café sim!!!! A qui em Brasília isso também é total normal..e pode ser suco, sorvete, refri.. mas a verdade é que amo café!!
hahaha
beijinhos
Por Samara Correia
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