11 Novembro 2009

Pequenas Crônicas do Cotidiano

Ana Elisa estava prestes a dar com a cabeça na parede. Os olhos marejados, a face vermelha, a boca espumando. Ódio! Ela busca a todo custo que a porcaria da conexão voltasse. Rapunzel não teria se sentido isolada na torra se tivesse twitter, smart phone, blog, MSN. A pobre Ana estava ilhada. Naquela ilha infernal, aquele calor arrebatador, mosquitos por todos os lados e ela sem nem um sinalzinho para se ligar ao resto do universo.

Todos a mandava curtir o momento, ir para a praia, aproveitar o sol. Carpendiar não era lá muito a cara dela que se mantinha branquela por opção e filtro protetor fator 60. Para ela era impensável não poder responder seus e-mails, ver os blogs dos amigos, ler tudo o que tinha sido escrito nas últimas 24 horas, estar conectada. Nunca em sua vida ela havia ficado mais de 2 horas sem se conectar, aquilo para ela era uma tortura com requinte de crueldade.

Tentou novamente conseguir sinal e nada. Pensou em suicídio, pensou em sair gritando e quebrando tudo. Daria muito trabalho. Desistiu e foi dormir.

***

Caixas. Caixas. Mais caixas. MUITAS MALDITAS CAIXAS.

Kleber não aguentava mais ver todas aquelas caixas espalhadas pela casa. Ele chutava uma caixa para sair do caminho e poder trocar de roupa, chutava outra e podia pegar um livro, chutava 5 e chegava a sua cama.

Cada vez que chutava uma caixa xingava a coitada da Ludmila, sua esposa. Como ela podia ousar não ter desencaixotado tudo e colocado nos armários. Como ela podia chegar em casa, depois de trabalhar 10 horas, e não tirar tudo das caixas. Fora a sujeira. Com as caixas pelo caminho a poeira se amontoada e formava flocos obesos de cabelo emaranhado com sujeira, areia e cerveja.

Aquela mulher estava abusando da boa vontade dele, estava achando que ele iria colocar aquelas coisas no armário, estava achando que ia chegar em casa e encontrar tudo arrumado. Que audácia.

Quando Ludmila chegou em casa o marido estava sentado no chão, uma caixa aberta no colo, achando que estava arrumando alguma coisa, quando na verdade ele só estava mudando a bagunça da caixa pra estante.

***


Só. Somente, só. E do frevo fizeram-se as lágrimas. Estaria só pelos próximos 30 dias. Sem ninguém pra abraçar na dor, sem ninguém pra rir junto de madrugada. De quem roubaria miojo na cama? Pra quem daria os picles do sanduíche. Ficaria sozinha, sozinha, sozinha. Sem ajuda de ninguém.

04 Novembro 2009

Käthe Kollowitz


Uma alemã simplesmente genial. A obra dessa artista ímpar merece ser apreciada. Apesar de seus longos anos de existência está longe de ser uma obra datada e é uma das coleções mais tocantes e emocionais que já vi.

Dispensa palavras.










 














 
 





 



28 Outubro 2009

Pára o mundo que eu quero descer!

Não passei! Merde! Quer dizer, eu passei na prova, mas depois não passei e... enfim, não quero muito falar disso. Sei lá. Caguei e estou bem triste em ver que eu caguei tudo. Não agora, 2 meses atrás quando escolhi meu tema de estudos. Ano que vem tem seleção de mestrado outra vez.

Pra melhorar tudo isso ainda tenho decisões pra tomar. Das sérias. E se a porra da borboleta bate asas e causa um furacão, imagina uma decisão desse tamanho. Senhor, se realmente existes, se em algum lugar nos confins do universo Tu realmente abre mares e profetiza com vozes do além, me diga: o que custa mandar um recadinho e me dizer o que fazer?

Não bastasse tudo isso, vou mudar. De casa! Estou feliz, adorei a casa nova. Mas dá trabalho. Muito trabalho. Muita caixa, noites sem dormir. Aquele caos que todos já conheceram um dia na vida.

E se não fosse suficiente ainda perdi um amigo. Meu companheiro de horas de solidão no começo do ano. Um começo difícil, quando ainda me adaptava a um novo estado, nova cidade, nova casa, novo marido, nova vida. Ele estava lá de folhas abertas me esperando. E morreu culpa da minha (des)antenção, focada apenas no mestrado. Foi devorado vivo por bichinhos brancos nojentos.

Mas, quando você acha que sua semana está um grande e enorme merda. Que tudo está de pernas pro ar. Quando você pensa: o que mais pode dar errado??? E você se imagina respondendo: nada! Você se engana. Você ainda fica menstruada!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Pára o mundo. Quero descer.

20 Outubro 2009

Ausência



Por motivos de tortura cerebral maior volto na semana que vem.


Mas não se preocupem, será um prova deliciosa. Foucault, Rimbaud, Certeau, Manet, Monet, Duchamp, Pollock… terei boas companhias.


Me desejem SORTE!

14 Outubro 2009

Choveu!

Chovia. Oração de sujeito inexistente. Mas a oração que realmente precisava era pro sujeito Noé. Sentado na escada, olhando árvores passarem boiando pela porta de vidro, enquando a água, carinhosamente, galvava os degraus, esperava alguém ou algo que me tirasse desse inferno frio e molhado.

Chovia. Como há muito tempo não chovia nesse sertão amorfo que se recolhia ao meu redor. Um deserto emocional inóspito e arredio que afugentava até mesmo a mais corajosa aventureira e que agora estava transbordando em lágrimas. Provavelmente as mesmas que um dia provoquei.

Chovia. Enquanto isso tocava um Ben Jor no rádio ao longe e nada da moça de branco aparecer pra mim. Se viesse provalvemente a tomaria pela morte e fugiria. Noé ainda não aparecera e a água continuava cavalgando corredor a dentro e me acurralando em seu final estreito.

Chovia. E quando já não havia mais salvação, quando a água me batia as tampas, quando comecei a ver a vida passando em flashes em minha mente, percebi que a chuva é doce.

Chovia. A terra ganhava vida, o céu ganhava cor, a saudade era levada na corredeira e a tristeza não mais ardia. Chovia e a luz brilhava pela porta de vidro fechada.

07 Outubro 2009

Think Geek


Uma amiga me mandou um e-mail, já há um tempinho, sobre o site Think Geek*. Logo de cara me apaixonei pelo site e figuei horas vagando por lá me divertindo. O site é tão bom nem o Sheldon conseguiria botar defeito.

Fiz um lista dos meus preferidos. Vale a pena entrar e fazer sua lista própria.

Para eventualidades é melhor ter sempre uma por perto...


 Carregue seu cactinho de estimação sempre com você. Ela vai adorar.

Nesse país tõa violento em que pessoas matam umas as outras por um drive de USB é bom ter o seu disfarçado.

Ah... dispensa comentários e faz o trabalho mais divertido.


Quero ver se você consegue ver as horas nesses relógios...


A melhor coleção de camisetas:

Para levar o maridão pra passear...




"Não há lugar como o nosso lar..."

What the fuck!!!!**

Deixe a gravidade fazer seu efeito... não use sutiãn!



If you're not part of the solution you are part of the precipitate.***

Ah... isso é chocolate.

There are only 10 types of people in the world: those who understand binary and those who don't.****




* Pense Nerde
** Que porra é essa!
*** Se você não é parte da solução é parte do precipitado.
**** Existem apenas 10 tipos de pessoas no mundo: as que entendem binário e as que não.

30 Setembro 2009

Desespregada

A cada dia que passa eu tenho mais e mais vontade de ir para a Itália achar uns parentes, conseguir um passaporte e ficar por lá. São tantas coisas nesse país que me tiram do sério que está cada vez mais difícil manter o moral. Se fico é porque amo minha terra e meu povo, mas admito entre o Sarney, os M., os L., a corrupção e o Barrichello começo a ficar desgostosa da vida e penso mesmo em largar as terras tupiniquins. A bola da vez nesse ímpeto impatriótico é a minha busca por emprego.

Coloquei meu currículo em vários sites de vagas - empresas sérias, respeitadas e bem quistas ao redor do país. Todos os dias eu vou lá buscar uma vaguinha com a minha cara. Numa bela e chuvosa terça-feira estava eu linda, lépida e faceira navegando no mar (na verdade um laguinho bem rasinho) de vagas da minha área e acho o seguinte:

Vaga: Assessor de Imprensa Internacional
Área: Jornalismo
    * Irá realizar assessoria de imprensa na área cinematográfica e cultural internacional.
    * Experiência assessoria de imprensa na área cinematográfica e cultural.
    * Superior concluído em Jornalismo ou áreas afins.
    * Desejável inglês fluente e um segundo idioma. Ter relacionamento empresarial de alto nível.
    * Informações adicionais: Local da vaga: uma vaga para Estados Unidos e uma para Europa.

Eu li isso e achei o máximo. Pensei, poxa... num é bem a minha área, mas quem sabe rola !! Vou me candidatar. O "não" tá garantido. Assessor de imprensa em Hollywood. CARA!!! QUE LEGAL.

Aí, eu preenchi tudo o que tinha que preencher e fui responder o questionário. Nele tinha um site que eu deveria acessar para depois responder uma pergunta e quando eu abro o site: tchan, tchan, tchan, tchan... lá estavam duas moças, notavelmente brasileiras, nuas em pelo. Uma pintada - tipo globeleza - a outra deitada e cheia de sushis e sashimis sobre o corpo.

Sério mesmo: perdi o ar.

Poxa, a gente estuda desde os 7 anos, faz faculdade, pós, curso disso e daquilo e recebe uma vaga de puta. Como pode?

Cheguei a me perguntar se era eu que estava ficando moralista e que aquilo na verdade era só um trabalho, justo como qualquer outro e então eu re-li a descrição da vaga e pensei Não, se fosse uma empresa séria teria descrito a vaga como ela é: procura-se moça bem apresentável para recepção em festas trajando pinturas.

Chamar isso de jornalismo é uma ofensa sem tamanho e um absurdo descabido e... e... sei lá! Nem tenho palavras.

Caí fora, né!!! Bandeja de sushi só pro meu marido. Fechei o site da empresa contratante, abri novamente o site de vagas e escrevi um e-mail relatando o ocorrido.

Depois de passado o ódio, a raiva, a total incompreensão eu dei muita risada do assunto. Não sabem como eu ri de uma coisa dessas? Simples... imaginem a minha cara ao abrir aquele site e ver as duas raparigas.

Viu... dá pra rir.