quarta-feira, 8 de maio de 2013

Como ser odiada pelos vizinhos



Meu prédio é bem bonitinho, tranquilo, calmo, silencioso. Os vizinhos são algo fora do normal no quesito falta de simpatia.

Maíra: Good Morning
90% dos vizinhos: olhar estranho do tipo "só se for pra você!"

E até então os olhares não tinham muito motivo. Tudo bem, eu sou super barulhenta pros padrões locais. Tudo bem, coloquei uma bandeira gigante na janela que grita pra todo mundo que eu sou lá da terra do calor, caipirinha e samba. Mas ainda assim, não era o suficiente para um pacote de austeridade tão grande. Até ontem... quando eu quase taquei fogo no prédio.

Antes de continuar contando, quero ressaltar que eu sei que devia ficar calada, pra evitar a fadiga familiar e a minha mãe pirando via skype sobre o meu total nível de irresponsabilidade. Fora o risco de em caso de um processo judicial tudo que eu disser (e escrever) pode e será usado contra mim no tribunal. No entanto, contrariando o juízo e o bom senso, a piada é simplesmente muito boa pra deixar passar.

Findo o meu parêntesis continuo minha história dizendo que ontem foi um dia estranho. Foi mais difícil acordar do que normalmente já é, eu estava sem fome, sem vontade de escrever, sem vontade de falar. Liguei pra uma brasileira que acabou de chegar pra ver se espantava a 'nhaca' e fomos tomar um café e bater perna e tudo parecia melhorar.

Só parecia. Pois na sequência uma séria de coisas inesperadas aconteceram: Fui à academia (vai rolar uma tormenta tropical em Aberdeen por conta disso) e - pasmem - fui mais mal atendida em uma delas do que em qualquer lugar em Macaé. Sai triste com o tratamento da academia e fui pro mercado e não tinha batatas!!!!!!! Como assim??? A alimentação desse país é basicamente baseada em batatas e não tem batatas no mercado. É... como eu disse, era um dia estranho.

A falta de batatas me fez comprar uma bandejinha com 4 batatas gourmets cheias de frescura e eu vim pra casa fazer minha carne moída com batatas. Só que as tais das batatas não cozinhavam de jeito nenhum. A carne já boazona e a batata lá, toda dura. Coloquei mais um pouquinho de água e blá, blá, blá... resultado: queimei a carne e as batatas. Ah! Depois de salvar a carne (e a porra das batatas) que estavam comestíveis eu tentei (note que eu tentei) salvar a panela. Coloquei água e coloquei a panela no fogo, coloquei bastante água e coloquei a panela no fogo. Tipo, muita água mesmo, pra ferver e soltar a carne. E ai eu caguei, sentei em cima, espalhei a mãozinha na merda e passei na cara.

Eu sai da cozinha acalentada pelo fato que o apartamento é tão pequeno, que eu estaria do lado de qualquer forma. E ai eu, que em breve me juntarei ao Candy Crush Anônimos, me distraí. Foi quando o alarme de incêndio disparou e o Octaviano veio gritando (isso é raro, então quando acontece eu presto muita atenção) que eu vi o nível de caos revelado perante meus olhos.

O alarme disparava, o Octaviano desligava, disparava o outro alarme. Uma fumaceira desgraçada pela casa, um fedozão de borracha queimada. O pé de manjeriquinho murchando automaticamente em segundo. Desliguei o fogo e num parava de sair fumaça. As janelas que quase não abrem, a coifa que num funciona. Era o ensaio do apocalipse rolando em 53m2. 

Joguei a panela na pia e abri a água fria. Ai veio uma nuvem negra de fumaça. Dispara o alarme de novo, o outro alarme. Todas as janelas da casa abertas. O majeriquinho a essa hora já estava morto, a casa inteira tomada por aquele agradável cheiro de pneu queimado.

Apagado o fogo, mas a casa ainda tomada de fumaça fui ver o nível da cagada. Tinha gordura no cago da panela e o cabo da panela derreteu. E o cabo da panela deve ser de algo muito tóxico, muito mesmo... tipo, espuma fajuta de isolamento acústico de balada. O cheiro, cara... o cheiro. Até agora tá tudo fedendo.

Passado o susto, eu até tô rindo do nível da minha merda, mas eu num quero nem pensar no que poderia ter acontecido, no fato de que todos os meus ex-colegas de trabalho do QSMSOS me matariam nesse momento, na bronca que eu vou levar da minha mãe 5 minutos depois de ela ler isso e como, de hoje em diante, NENHUM vizinho nunca mais vai me dar bom dia.

2 comentários:

Andreia disse...

kkkkkk...amei o post... pelo menos vc nao vai gastar bom dias sem respostas!
mas me diga, vc tem amigos brasileiros ai ?

joao bosco Targino disse...

adorei a história,trágica e engraçada,pelo menos ninguém morreu,só o pé de manjericãozinho,kkkk.abs